O show do U2 acabou às 23h30 e cheguei 3h!
Esse foi o relato do meu amigo Ricardo Spinelli no twitter, logo após ele ter saído do show do U2 no estádio do Morumbi no show que foi realizado no domingo. Isso me fez acender a luz amarela de atenção e me deixou preocupado com o planejamento que Palmeiras/WTorre precisam ter para que nós não passemos por uma situação idêntica quando a Arena estiver pronta.
Para quem conhece bem o Morumbi, essa situação não é nenhuma novidade. Localizado em uma área com poucos acessos (Av. Giovanni Gronchi, Av. Jorge João Saad e Av. Morumbi) a região do estádio fica sem condições nenhuma de dar uma boa vazão aos milhares de veículos que estacionaram no entorno do estádio. Esse problema todo é por causa da falta de um sistema de metrô eficiente na cidade de SP e principalmente na Zona Sul da capital.
A estação Morumbi da Linha 4 do metrô será inaugurada nos próximos meses; ela vai ficar há +- 1km de distância do estádio (uma boa caminhada), mas já é alguma coisa para uma região que não tem absolutamente nada na questão de transporte em massa para a população. Um sonho absurdo e que dificilmente sairá do papel (associações de bairro do Morumbi estão com diversas ações na justiça impedido a obra) é a Linha 17 de monotrilho, trajeto que foi criado na época em que o Morumbi seria sede da Copa do Mundo de 2014 e que mesmo sem demanda de passageiros para o investimento de mais de R$ 3.300.000.000,00 alguns políticos continuam insistindo em sua construção. Estranhamente o SPFC é o mais beneficiado com essa linha, pois o metrô está disposto a construir um estacionamento para 1600 carros em frente ao estádio!
Mudando a conversa agora para a nossa casa…
Está claro para qualquer leigo em transportes que a Arena Palestra Itália é imbatível quando se fala em localização, pois estamos em uma região central e com dezenas de vias de acesso ao estádio. Vale a pena lembrar um ótimo post aqui no blog do Ricardo Teixeira sobre acesso em ele aborda muito bem o assunto e prova que a Linha 6 ficará a +- 100 metros do Palmeiras e nós não teremos apenas uma estação próxima e sim três, contando com a Estação Barra Funda. Clique aqui e leia o post!
Uma coisa que eu preciso abordar também é a mudança da nossa cultura; nós precisamos nos adaptar a esse caos urbano que é a cidade de SP e utilizar mais o transporte de massa. Hoje já vivemos um inferno diário para se locomover praticamente durante todo o dia mesmo fora da hora do rush, agora imagine a situação que vamos passar daqui há dois anos quando a Arena estiver pronta! Por isso que mesmo tendo uma boa infra-estrutura ao redor do Palestra Itália, se não tivermos um bom planejamento na organização dos jogos em conjunto com a torcida, a vida de todos os palmeirenses será complicada.
Quero pegar um exemplo do Emirates Stadium, do Arsenal, que vive uma situação muito similar à nossa! O estádio dos Gunners está localizado em uma zona urbana, ao contrário do que acontece em outras novas arenas que ficam na periferia das grandes cidades.
Abaixo, segue um texto muito interessante falando sobre a mobilidade do entorno, feito na última revista Stadia Magazine:
ARSENAL LETS THE TRAIN TAKE THE STRAIN
When Arsenal Football Club moved into the 60,000-seat Emirates Stadium five years ago, cars were taken almost completely out of the equation. “We were never going to have a high percentage of people arriving by car in any case,” says Sharon Cicco, Arsenal’s operations and safety officer. “There simply isn’t any place to park in London, and since we’re surrounded by a residential neighbourhood, streets have to be blocked off to vehicle traffic on game days.
Quando o Emirates Stadium passou a ter 60.000 assentos há 5 anos atrás os automóveis estavam completamente fora de cogitação. “Nós nunca teremos uma alta porcentagem de pessoas chegando ao estádio de carro”, afirmou Sharon Cicco, responsável pela parte operacional e de segurança. “Simplesmente não existe lugar para estacionar carros em Londres e já que estamos rodeados por uma área residencial, as ruas estarão fechadas para o tráfego de veículos durante os dias de jogos”.
Comentário:
“Como a cidade de SP não tem esse problema de estacionamento, mas por outro lado o nosso metrô não atinge toda a grande SP como Londres, precisamos encontrar um equilibrio no planejamento de transito do entorno da Arena, isso quer dizer que vamos precisar utilizar métodos de alertas via celular e rádio, avisando os torcedores que estiver em chegando nos arredores do Palestra Itália quais são as melhores opções de locais para estacionarem o seu veículo.”
So when the new stadium was designed, it was part of our planning permit that we would not offer parking. We had to guarantee that. We agreed to limit parking to 150 spaces for our corporate level customers – underneath the stadium. We also have a limited amount of coach parking for away supporters and other groups. But coming to the game by car is almost impossible, and it was planned that way. We have excellent service on the Tube (London Underground) and also mainline trains that stop nearby and connect to all parts of the country.”
Portanto quando o novo estádio foi criado, parte do planejamento permitia que não seria oferecido estacionamento. Foi acordado que 150 vagas seriam destinadas aos consumidores coorporativos, sendo que as mesmas seriam no subsolo. Outro determinado número de vagas foi reservado para patrocinadores e grupos especiais, mas para o torcedor comum, ir ao jogo de carro era praticamente impossível. Todo esse pensamento foi baseado no excelente serviço de metrô e linhas de trem que tanto a cidade quanto o país inteiro possui.
Comentário:
“Prestem atenção como a cultura européia é diferente da nossa, o Emirates tem milhares de cadeiras especiais e camarotes corporativos, alguem de vocês imaginaria algum executivo pegando o metrô para assistir um jogo do seu time aqui em SP depois das 18:00 que é a hora de pico do metrô, porque é praticamente impossível atingir todos esses torcedores com apenas 150 vagas de estacionamento destinadas a esse público.”
When the Emirates was in its initial permitting phase, Arsenal even promised the borough of Islington that, if necessary, the club would pay for a massive upgrade to nearby Holloway Road subway station. As it turned out, that expenditure wasn’t necessary.
Quando o Emirates Estava em fase de aprovação, o Aresenal até prometeu ao distrito de Islignton, que caso fosse necessário ajudaria financeiramente na melhoraria da estação vizinha de metrô Holloway Road. Acontece que isso não foi necessário.
Comentário:
“No nosso caso a WTorre teve que pagar mais de R$ 6.000.000,00 de reais, para melhorar o trânsito do entorno do Palestra Itália, o pior disso tudo é que nossos rivais ao invés de pagarem para a prefeitura uma melhoria na infraestrutura ao redor de seus campos (Morumbi e Itaquerão), eles estão ganhando investimentos de bilhões de reais .”
Since the Emirates is only a few blocks from the club’s previous home at Highbury, fans take the same trains they once used to reach the old stadium. “The queues are a tiny bit longer at Arsenal station and at Finsbury Park after the game,” Cicco says, “but it hasn’t caused any significant delay. We keep the stadium open for two hours after games, allowing fans to gather and watch replays or check other games on the concourse. We try to make it a bit of a social event, so that everyone isn’t leaving at the same time.”
Como o Emirates está poucos quarteirões do antigo estádio do Arsenal (Highbury), os torcedores continuam usando os mesmos trens que usavam para ir ao Highbury. “As filas são um pouco maiores na estação do Arsenal e na Finsbury Park após os jogos” disse Cicco, “mas isso não causou nenhum atraso significante. Nós deixamos o Emirates aberto por duas horas após os jogos, assim os torcedores podem se reunir e assistir os replays e acompanhar outros jogos do campeonato. Tentamos criar um tipo de um evento social, para que evite a saída de todos ao mesmo tempo.”
Comentário:
“Como já tinha citado acima, nós torcedores também precisamos nos conscientizar de utilizar mais o metrô da Linha 6, que estará a poucos metros do Palestra Itália. A sinergia entre o Palmeiras e a nossa torcida nesse aspecto é de extrema importância, porque com jogos que terminam as 23:30 não dá mais para ficar chegando em casa depois da 1 da manhã.
Por isso a criatividade e a boa comunicação do Palmeiras é fundamental para o sucesso da mobilidade das pessoas ao redor da Arena. Podemos pegar idéias como essa do Arsenal, incluir promoções para as pessoas que chegarem duas horas antes e também aquelas que ficarem mais uma hora no estádio após a partida. Não seria legal ter desconto de 20% em todas as lojas, restaurantes e bares nesses períodos? Os nossos craques do passados também poderiam ficar por lá e qualquer criança poderia tirar foto com eles. Mais uma idéia seria premiar de alguma forma os torcedores que vierem de metrô ou onibus! Temos que estimular essas idéias, porque dessa forma a receita do clube vai aumentar (lembrem que temos 20% do faturamento bruto dessas propriedades), nós torcedores vamos ficar mais motivados em ir aos jogos (principalmente por serem bem organizados) e os moradores da região também vão comemorar, porque não estaremos criando uma confusão na vida deles!”








