June
27

Vou fazer uma série de textos, sobre o que o palmeirense quer ver na Arena. No embalo da recente discussão sobre cobertura retrátil, uso o assunto para começar a série.

A cobertura retrátil é um sonho desde o primeiro projeto, aquele de 1996, que de início foi mantido no atual, porém foi retirado, e nem chegou a aparecer nos renders. Agora fica a pergunta, a arena terá estrutura para suportar um teto retrátil no futuro? Espero que sim, este item pode parecer luxo mas não, é o diferencial em muitas arenas mundo afora, ajuda o estádio a estar adaptado a diversos eventos, e a valer o termo “multiuso”.

Um estádio totalmente coberto pode receber eventos muito além de jogos e shows, onde a chuva é algo tolerável, estou falando de feiras, exposições e esportes indoor, como vôlei, basquete, futsal, lutas, etc…

Alguns estádios onde a cobertura retrátil esta fazendo a diferença:

Veltins Arena, Gelsenkirchen – Alemanha

Clube: Schalke 04, capacidades: 54000 allseater, 62000 com stehplatz

Graças a cobertura retrátil a arena recebeu recentemente um jogo de hockey da seleção alemã, com público recorde no esporte do país, foi palco da largada e da chegada de uma biatlo na neve com os telões mostrando o resto do trajeto, jogos de handbol, além de shows e jogos menos gelados e sem neve no rigoroso inverno alemão.

Biatlo

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5b/Veltinsarena_Biathlon.jpg

Show

Disposição 1

http://www.feschfilm.com/typo3temp/pics/6cfd24ab13.jpg

Disposição 2

http://img684.imageshack.us/i/veltins.jpg/

Handbol

http://www.veltins-arena.de/media/veranstalter_sport_handball.jpg

Hockey

http://cache.daylife.com/imageserve/0bOIgtq8Nk6y7/610x.jpg

Luta

http://www.dw-world.de/image/0,,4411061_1,00.jpg

Espirit Arena, Dusseldorf – Alemanha

Clube: Dusseldorf, capacidades: 51000 allseater, 55000 com stehplatz

http://img.photobucket.com/albums/v509/LHSebi/outwardduslax/IMG_9522.jpg

Feira / exposição

http://www.saatchi-gallery.co.uk/artfairs/artfairs_images/thumbnail1.php/byc200855044355arc_pht.jpg

Neste tipo de evento as arquibancadas não são usadas, a não ser que em parte da feira haja uma palestra por exemplo…mas imaginem só o salão do automóvel em plena Arena Palestra Italia!!!

Amsterdam Arena, Amsterdam – Holanda

Clube: Ajax, capacidade: 51000

http://www.jlgrealestate.com/images/paginas/3423_Arena%20by%20night.jpg

Concerto do André Rieu

Neste caso foi montada toda a estrutura de um show de música clássica, até fontes foram feitas, o ambiente de uma praça foi totalmente recriado

http://www.bndestem.nl/multimedia/archive/00800/BS_4861329_4861329-_800772b.jpg

Cowboys Stadium, Arlington, Texas – EUA

Clube: Dallas Cowboys (futebol americano), capacidade: 105000

Este estádio merecia um post exclusivo, sem dúvida é o mais moderno do mundo, custou nada mais nada menos que 1,3 bilhões de dólares, ficou famoso pelo gigantesco telão, que é maior do que a quadra de basquete…tem setores retráteis, cobertura retrátil, milhares de camarotes com todo luxo e conforto possível, estacionamento gigante, enfim, tudo do melhor possível!

http://l.yimg.com/g/images/spaceball.gif

Futebol Americano

http://garyatprosoco.files.wordpress.com/2010/02/cowboysstadium2.jpg

Futebol

http://www.dallascowboysturf.com/images/progress/stadiumbig.jpg

NBA All Star Game, 108000 pessoas, recorde do torneio

http://theshoegame.com/wp-content/uploads/2010/02/nba-2010-all-star-game1.jpg

http://images.mirror.co.uk/upl/m4/feb2010/9/3/crowd-at-the-nba-all-star-game-pic-nbae-getty-images-347414310.jpg

Boxe

http://a.espncdn.com/photo/2010/0330/dal_g_cheerleaders1_576.jpg

Show

http://planoblog.dallasnews.com/NM_06stadiumZN.JPG

Rodeio

http://2.bp.blogspot.com/_r-J2AW5He6U/S4XmGotM-jI/AAAAAAAAACQ/AtTM2IfTbP8/s400/Actual+PBR.jpg

June
6

O especialista em gestão de Arena e blogueiro da revista Exame, Ricardo Araujo deu uma entrevista esclarecedora para o portal da revista, dando a sua opinião sobre o planejamento para a Copa de 2014.

Como vocês vão acompanhar nos videos, o Ricardo é muito técnico e realista sobre o assunto. Ele consegue passar uma boa visão para as pessoas leigas entenderem o tamanho da confusão em que estamos metidos, principalmente pela falta de planejamento e interesse político.
Já pegando um gancho sobre a Copa de 2014, o projeto da Arena Palestra Itália parece não existir para o comitê paulista para a Copa do Mundo! Temos um estádio nos padrões FIFA para 42 mil pessoas e com facilidade de expansão para 62 mil (com essa capacidade poderíamos receber a abertura do evento) e nenhum representante do órgão ou político do nosso estado, intervém nessa situação e pensa em utilizar a Arena como solução para sediar os jogos do evento na cidade de SP.
Nos meus cálculos, precisaríamos de mais R$ 70.000.00,00 para atingir essa capacidade e ficar no padrão FIFA para receber a abertura da Copa de 2014! Esse valor seria sem $$$ público e não precisaríamos gastar bilhões de reais em infra estrutura no entorno do Palestra Itália como acontece no Morumbi.
Como venho sempre falando, o Professor Belluzzo poderia salvar a cidade colocando a Arena Palestra Itália à disposição para a abertura da Copa de 2014… :-/
Clique aqui para ver os videos da entrevista!
May
29
Tive o prazer de conhecer através do Twitter o Claudio Borges, ele é um brasileiro que atualmente está trabalhando no Manchester City, mais especificamente na área comercial do clube!
Como você foi parar no Manchester City?
Vim para a Inglaterra fazer um MBA especializado em Administração do Futebol que conta com a colaboração de diversos profissionais da indústria e com o apoio da Premier League. Consegui me formar com um alto rendimento e fui convidado pelo Manchester City para realizar um projeto de 3 meses focado na reformulação do programa de sócios do clube. O projeto foi bem recebido e acabei recebendo a oferta para permanecer no clube.
Você pode falar um pouco sobre o momento que o clube vive, sendo o clube de futebol mais rico do mundo?
O momento do clube é muito bom. Apesar de em campo não ter conseguido se classificar para a Champions League nessa temporada, não tenho dúvidas que a classificação será só questão de tempo. Apesar de existir o rótulo de ‘clube mais rico do mundo’,  existe uma preocupação muito grande com planejamento, prudência e retorno. Ofertas de salário as vezes alcançam certos níveis pois o clube sabe que precisa disso para atrair jogadores de calibre mundial e competir com os 4 grandes (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester United). A segunda preocupação é com o torcedor. O clube não quer se tornar uma máquina corporativa como o Manchester United. O City sempre foi um clube ligado aos conceitos de família, comunidade e tradição, e existe uma preocupacão em todos níveis do clube para que esses valores sejam preservados.
Qual é a sua função no clube?
Sou encarregado de prestar consultoria para novos projetos. Assim como em muitas empresas existe no clube uma chamada Departamentalização Matricial, no qual equipes são compostas por pessoas de diversas especialidades e se reunem para realizar tarefas com características temporárias. Propriamente dizendo trabalho dentro da área comercial, na maioria das vezes juntamente com dois setores: Marketing e Supporter Services. Minha função é analisar projetos e ações voltadas para o torcedor, incluindo estratégias de ingresso, segmentação do estádio, hospitalidade, e basicamente tudo que se refira ao relacionamento com o torcedor.
O marketing do Manchester City e composto por quantos profissionais?
Por existir uma grande departamentalização no clube o Marketing propriamente dito é relativamente pequeno, com cerca de 5 profissionais. Isso acontece pois enquanto o marketing foca principalmente na comunicação e na apresentação do clube como marca, existem outras áreas que lidam com questões específicas, como a área de Parcerias, Supporter Services e Hospitalidade.
Existe uma boa comunicação entre o departamento de marketing do Manchester e a hospitalidade do estádio?
Sim. Se existe uma coisa que não falta no clube são salas de reunião pois o diálogo entre todas as áreas é, e precisa ser, sempre constante.
Quem comanda o departamento de hospitalidade, o clube ou uma empresa tercerizada?
O departamento de hospitalidade é controlado inteiramente pelo clube. Porém, existe uma empresa especializada que presta o serviço de refeições.  O clube coordena toda a parte de reservas enquanto a empresa é encarregada da comida e bebida que são fornecidas nas chamadas suites. A empresa ganha uma porcentagem dos pacotes de hospitalidade vendidos pelo clube.
Quantas pessoas trabalham no departamento de hospitalidade?
Na parte administrativa, que lida com reservas e planejamento, existem cerca de 10 pessoas. A esse número pode-se adicionar cerca de 200 pessoas que trabalham apenas em dias de jogos como recepcionistas, seguranças, garçons e cozinheiros, sendo que os dois últimos fazem parte da empresa terceirizada.
Quanto representa em porcentagem do faturamento do clube a área de hospitalidade(Executives seats e VIP Boxes)?
Não posso revelar essa informação. Para alguns clubes essa fatia pode chegar a 40% do faturamento com ingressos. No caso do Manchester City essa porcentagem é muito menor. Enquanto o clube conta com cerca de 3,000 lugares para a hospitalidades,o Arsenal por exemplo conta com 8,000 lugares VIP. Apesar de haverem planos para desenvolver a área de hospitalidade, o foco do clube é nos torcedores da arquibancada. Vale ainda lembrar que uma grande parte da receita gerada dessas áreas vem de conferências e eventos que são realizados fora do dia de jogo e que portanto não são consideradas como receitas de jogo.
Fora o poder aquisitivo, quais são as principais diferenças entre os freqüentados dos VIP boxes para o torcedor comum do clube?
O frequentador de áreas de hospitalidade são completamente diferentes dos torcedores comuns. Não é apenas uma questão de poder aquisitivo. Recentemente foi feita uma pesquisa para analisar onde os torcedores milionários do clube sentavam e, acredite ou não, muitos preferem a emoção da arquibancada. A hospitalidade é muito usada por empresas que usam o jogo e o serviço ofertado pela suites para entreter clientes, fechar negócios ou presentear funcionários. E existem é claro os torcedores que possuem condições de pagar pelo pacote e querem uma experiência mais exclusiva para eles e suas famílias quando vão ao estádio
Quais são as principais reivindicações dos freqüentadores da hospitalidade no Manchester?
O cliente de hospitalidade quer serviço. Não apenas um bom serviço, mas um serviço comparável ao de hotéis e restaurantes 5 estrelas. É claro que a principal parte da experiência ainda é o jogo, que é visto mais confortavelmente em poltronas acolchoadas, mas as refeições servidas antes, no intervalo e após os jogos precisa ser de extrema qualidade. Além disso, muitos frequentadores esperam que as suites fornecam uma área exclusiva e de certa forma reservada, onde eles possam encontrar clientes, discutir negócios e fazer o devido networking. Não é correto afirmar que o cliente corporativo não se interessa na partida, mas o que ocorre muitas vezes na área de hospitalidade é que existem outros negócios em jogo além do time em azul celeste.
Caso tenham interesse em conhecer mais sobre a área de hospitalidade do Manchester City, acesse o site e assista ao vídeo de apresentação: http://hospitality.mcfc.co.uk/
Sigam o Claudio no Twitter - http://twitter.com/C7Borges
May
10

Ainda sobre o tema capacidade falemos agora sobre o impacto do preço dos ingressos na demanda dos jogos. Primeiro um exercício básico de economia. Precisamos saber sobre demanda elástica e inelástica, ou seja, se ela é ou não sensível ao preço. Não há um estudo sequer sobre a elasticidade (sensibilidade) da demanda com relação aos estádios, portanto, essa análise será baseada em casos. Começando com a seguinte pergunta: quanto vale ir ao Santiago Bernabéu assistir a um jogo do Real Madrid na Liga, ou quanto vale ir assistir no mesmo estádio só que no dia 22 de maio agora (final UCL)?

Viram? O fator JOGO é mais importante que preço. E as pessoas não medem esforços para estarem presentes, ou seja, pagam o que for.  E os clubes devem aproveitar a oportunidade. Mas e quando não há super-jogos sendo realizados que criam tais expectativas? Neste momento o fator PREÇO pesa, porém, se tiver adiantado boa parte dessa receita com os carnês (season ticket) você pode subir o seu preço-médio, criar ações para atrair o torcedor, sortear cadeiras, etc.. O interessante nesta questão é que você pode atrair o torcedor para outros serviços e “de quebra” assistir ao jogo “comum”. O mais importante de tudo é trazer ele para Arena.

Ok. Tema encerrado. Não há muito que dizer. Perceberam um tom elitista no texto? Pois bem, vamos tratar disso agora…

Todos temos medo que após a construção da Arena, o povo ficará longe do Palestra (e tantos outros estádios pelo Brasil), assim sendo, elitizado. Bom, isso depende apenas dos gestores dos clubes. O que eu disse no post anterior, sobre o choque de cultura, realmente deve acontecer. Porém, ainda vivemos num país desigual. E massa deve participar, porque é ela que vai aos jogos. Mas para o bem-estar financeiro das Arenas, essa massa deve ser reduzida. E deve-se dar oportunidade para a demanda oprimida de hoje (com poder aquisitivo) para poder pagar bem pelo jogo que vai assistir, pela comida que quer comer, pelos produtos do clube em lojas, etc.

Por isso, devemos transformar o conceito ELITIZAÇÃO em SETORIZAÇÃO. Devemos SETORIZAR os estádios para que todos tenham a oportunidade de participar. Porém, aquele que paga mais verá de uma cadeira melhor que aquele que paga menos. Não adianta remar contra a maré. Isso acontecerá. Tentem comprar um ingresso para um jogo do Benfica, Barcelona, Real Madrid, vejam como é feita essa setorização.

Vou deixar como reflexão o seguinte dado: Na Inglaterra segundo dados publicados pela Premier League na temporada 2007-08 as classes A, B e C1 representaram 75% do publico nos estádios e um outro dado interessante sobre o futebol inglês é que a renda média do torcedor que freqüenta os jogos da Premier League é cerca de 40% superior a média da população inglesa.

Distribuição por Renda- Torcedores da Premier League- 2007-2008
Classes:
AB: 43%
C1: 32%
C2: 16%
DE: 9%

Deixo também o excelente post sobre o assunto no blog Futebol & Negócio. Escrito por pessoas que possuem mais capacidade técnica que este palmeirense que vos escreve.

Até breve!

May
1

Capacidade: quanto maior, melhor?

por Ricardo Teixeira

Antes de tudo, vamos começar com a média de público do Palmeiras nos últimos três anos:

Ano

2009

2008

2007

Média

18.337

17.418

13.516

% Ocupação

68%

65%

50%

Capacidade: 27 mil lugares.

Agora aos fatores que afetam e não afetam a ida de torcedores aos estádios (todos os times brasileiros) segundo a dissertação de mestrado do Ms. Fábio Augusto Pera de Souza sobre a demanda dos estádios:

Afetam

Não afetam

Importância do jogo

Meio de semana

Desempenho

TV e PPV

Proximidade de títulos


Capacidade


Como no próprio estudo diz, quanto maior a capacidade, maior o público.  Mas afinal, por que não conseguimos encher o estádio sempre? Reparem os fatores que afetam às nossas médias em cada ano.  Eis a resposta! Mas ainda incompleta.  E ainda existe outro conjunto que afasta os torcedores como violência, conforto e falta de variedade para se passar o dia no estádio em dias de jogos e em dias que eles não são realizados. Por isso a necessidade de uma Arena moderna que ofereça esses serviços para atrair mais público.

O 3VVista Tredinnick fez um excelente estudo sobre a nosso público do futuro. Cravou em 31,5 mil por jogo em 2012, baseado em nossa ultima média. Mas eu discordo um pouco, pois, em 2009 ficamos muito próximos de ser campeões brasileiros e disputamos Libertadores, e no ano de 2008 fomos campeões paulista e fizemos um bom campeonato brasileiro, enquanto 2007 fomos pífios em praticamente todos os campeonatos. Não que eu ache que a previsão dele esteja errada, mas vejam, o fator desempenho do time está muito ligado neste estudo. E se de fato tivermos um 2011 e 2012 bons nesse quesito, é bem provável que a média crave ou ultrapasse os 31,5 mil.

Em minha opinião, nós brasileiros ainda passaremos por um choque cultural após a Copa 2014. Não está em nossa cultura ir numa Arena. E nós palmeirenses teremos esse choque antes (em 2012). Por isso eu ACHO que no curto prazo uma arena com mais de 60 mil não vale a pena, mas no médio e longo prazo sim! E desta forma entramos na questão econômica do negócio.

Não vale a pena ter um estádio com 60 mil que não consegue ocupar ao menos 75%, existem altos custos para a manutenção que pesam no orçamento. E se o time não “ajudar”, a tendência é piorar. Volto a dizer, nós brasileiros ainda temos receios de ir ao estádio.  Porém, com o passar do tempo, com um programa de sócio-torcedor que atraia público, mais um bom time e diversas ações que motivem a ida do torcedor ao estádio e a mudança de cultura resultará num crescimento da demanda e a capacidade de 60 mil será pequena para suprir tudo isso.

É dificílimo fazer uma análise dessas, pois envolve muitos fatores. Eu posso estar completamente errado como posso acertar bastante do que afirmei aqui. Mas de uma coisa eu não tenho dúvidas: um programa de sócio-torcedor eficiente, ações bem planejadas e alto desempenho do time deixam qualquer estádio de 90 mil lugares pequeno!

No próximo post falarei ainda mais disso, pois, tratarei do impacto do preço do ingresso e do terrível conceito da elitização!

É isso aí… Não levem tudo ao pé da letra, analisem os fatores e que comece a discussão.

April
25

Naming Rights

por Ricardo Teixeira

O primeiro caso de naming rights do Brasil, e talvez do mundo, foi do Palmeiras. Quando o Palestra Itália comprou o terreno da cervejaria Antarctica. Onde o nosso estádio ficou conhecido como Parque Antarctica. Mas isso foi em 1920 e o nosso Palestra não recebeu nada por isso além do terreno. Hoje a história é outra….

Naming rights é, basicamente, a celebração do contrato onde uma entidade esportiva cede o nome de sua Arena para a marca de uma empresa por um período (normalmente longo). Exemplo: Emirates Stadium e Kyocera Arena. E essa cessão vale muita grana! Mas muita grana.

A prática é comum nos EUA em alguns estádios da Europa. Pois, é uma ferramenta do marketing esportivo que ajuda a alavancar as receitas do clube, além de conquistar um parceiro para outras ações como patrocínio de camisa e facilidades nos produtos e serviços da empresa que está dando o nome para a Arena. Logo abaixo mostro os valores dos contratos ao redor do mundo.

*Do montante de Euros 400 milhões do Arsenal, uma parcela é dedicada para o patrocínio da camisa por oito anos.

E aqui no Brasil? O único caso de um clube de futebol foi a Kyocera Arena do Atlético-PR, com um contrato de R$10 milhões por 10 anos. Só que não deu certo (durou apenas 3 anos), pois, a mídia em geral não respeitou o contrato do clube e nem o Atlético PR exigiu que respeitassem. Anunciavam em jornais, sites e televisão o nome “antigo” do estádio: Arena da Baixada. Causando um mal estar entre a empresa e o clube.
Isso é extremamente ruim para o negócio. Que entre outros fatores, ajudou na saída da empresa do Brasil.

É comum entidades (FIFA, UEFA, etc.), por terem direitos sobre os eventos, regulamentarem a não divulgação do naming rights para não entrarem em conflito com os patrocinadores masters das competições. A Allianz Arena era chamada de München Arena na Copa do Mundo de 2006 e até hoje o Emirates Stadium é chamado de Arsenal Arena. Pode até ser prejudicial para os clubes e empresas, mas é tudo acordado e a mídia respeita quando não existe tal regra.

Como havia dito, aqui no Brasil, a mídia não respeita. Principalmente naming rights de competições como a Santander Libertadores e Copa Kia do Brasil. É uma tremenda puta*ia. Pois, esses contratos são feitos para gerar receitas aos clubes e aumentar a exposição da marca da empresa.
Com relação a nossa Arena, a Traffic está negociando com empresas para fechar o contrato de naming rights. A receita para o Palmeiras se dará pelo seguinte: 5% de início, e acrescendo 5% a cada cinco anos, chegando a 30% até o fim do contrato com WTorre. Lembrando que as empresas não pagam 100% do valor no início, e sim divido em parcelas anuais (a cada 10 anos, a cada 5 anos, ano a ano, etc.).

A ferrementa naming rights não se aplica somente ao nome do estádio. Pode-se atribuir a marca de empresas aos setores dos estádios e ao centro de treinamentos como acontece com o José Alvalade do Sporting Lisboa de Portugal, onde a Portugal Telecom dá nome aos setores dos portões 1 e 2, e os portões 3 e 4 ficam com o Bco. Espírito Santo e EDP, respectivamente, por 2 anos num valor de R$2,1 milhões cada. E a Puma paga EURO 7 mihões pelo CT. Assim, mantendo o nome do estádio.

Agora faço 3 perguntas a você depois de aprender sobre o que é um naming rights:

  1. Acharia ruim caso a mídia não respeitasse a empresa que vai colocar seu nome na Arena Palestra e que está gerando receitas para o Palmeiras?
  2. Caso ela não respeitasse mesmo, o clube deveria exigir tal direito?
  3. Qual tipo de contrato você preferiria, nome da marca integral no estádio ou em setores? Lembrando que o valor diminui.
April
23

Novo integrante do La Nostra Casa!

por Ricardo Teixeira

POR QUE AS ARENAS DÃO DINHEIRO???

Este é o meu primeiro post sobre os negócios que podem ser feitos com uma arena devidamente implantada. A partir de hoje, falaremos como é possível, com o auxílio do marketing, alavancar receitas com uma Arena no futebol. Portanto, não estranhe comparações com arenas européias (principalmente inglesas).

Por que Arenas geram dinheiro?
Venda de espaços publicitários (naming rights);
Venda de produtos licenciados;
Catering (alimentação);
Lojas e serviços;
E contratos para shows, eventos, etc.

Há uma gama de oportunidades para alavancar estes negócios.  Observem logo abaixo quanto os principais clubes da Europa arrecadam anualmente em seu matchday (dia do jogo) em conseqüência de suas arenas modernas segundo o estudo anual da Deloitte, o Football Money League:

Real Madrid: 101 milhões Euros
FC Barcelona: 95,5 milhões de Euros
Manchester Untd: 127 milhões de Euros

Por que é interessante ter uma arena moderna?
Público constante, casa cheia, faturamento não só com a venda de ingressos, etc. Afinal, um clube de futebol só abre seu estádio em dias de jogos (50 em média), enquanto os outros 315 dias é necessário ganhar dinheiro para manter a Arena e distribuir as receitas para o clube.

Para tudo isso acontecer, a Arena deve fornecer, principalmente, os seguintes itens:

Facilidade no acesso e boa localização;
Área de negócios para lojistas que ofereçam diversos produtos e serviços;
Estacionamento;
Design para facilitar a entrada e saída de torcedores, controle de multidão e pontos estratégicos de lojas e serviços;
Comodidade tanto para lugares, visão e recreação;
Mão de obra apta para atender e orientar o publico;
E segurança para gerar confiança do público.

É possível observar que se trata de um negócio complexo de se administrar, mas trabalhando as peças chaves o sucesso é certo.

Depois de vocês aprenderem os porquês das arenas serem interessantes tanto para o público quanto para o clube que irá administrá-la,  vamos falar sobre como o marketing pode alavancar o público e as receitas do complexo esportivo.

E o primeiro tópico a ser tratado é naming rights.  Mas isso só será comentado detalhadamente no próximo post.  Até breve.

Por Ricardo Brito Teixeira. Administrador (em formação) pelo Mackenzie e estudioso da Indústria do Futebol. Com artigos científicos sobre Marketing Esportivo e pesquisas feitas com torcedores palmeirenses.

October
14

A nova casa da Roma!

por Junior Gottardi

Parece que o boom dos novos estádios está finalmente chegando à Itália, depois do belíssimo projeto da Juventus de Turim, agora é a vez de a Roma construir a sua nova casa!

A arena terá a capacidade de 55 mil a 60 mil lugares para a fanática torcida romanista, o projeto foi concebido pelo arquiteto italiano Gino Zavanella, que criou um estádio com linhas minimalistas e muito parecidas com o Mestalla (Valencia), Allianz Arena e a novo estádio da Juve. Me agrada muito essa arquitetura simples e bastante funcional.

Outro clube que vai apresentar dentro de pouco tempo o seu novo projeto de arena será a Internacional de Milão, eles irão construir um estádio para 65 mil pessoas e deixarão para o Milan o histórico San Siro que sofrerá uma grande reforma e assim poderão acompanhar a evolução financeira dos outros grandes clubes italianos.

Para quem gosta do Calcio italiano como eu, podemos dentro de poucos anos voltar a ver os grandes clubes italianos conseguirem estar de volta ao topo do ranking dos clubes de maior faturamento no mundo, tudo isso graças a esse belíssimos projetos apresentados pelas equipes da velha bota.

Infelizmente a Lazio é a única squadra que não conseguiu criar alguma coisa solida para construir a sua arena e não ficar para trás do Milan, Inter, Juve e da Roma.

July
15

O palestrino Gabriel Manetta Marquezin enviou essa bacana comparação entre o projeto do estádio do Sporting de Lisboa o José Alvalade e a Arena Palestra Itália.

Veja abaixo:


Estádio Alvalade ou Alvaláxia, Lisboa.

50.600 lugares

Seating distribution:

Public seats – 46,16
VIP seats – 989
VIP boxes – 328
Business seats – 978
Prestige boxes – 314
Corporate boxes – 870
Honour seats – 130
Disabled and accompanying seats – 100
Press seats – 204

Antes:
http://static.panoramio.com/photos/original/2410407.jpg

Depois:
http://static.panoramio.com/photos/original/6127826.jpg

(Veja que este edifício é muito parecido com aquele que será construído na Matarazzo)
http://static.panoramio.com/photos/original/9011902.jpg

(Nesta podemos ver que as colunas que sustentarão a cobertura no gol das piscinas, é quase identica as deste estádio, espero que nossa cobertura fique parecido com esta, bonita e simples)
http://static.panoramio.com/photos/original/1580472.jpg

(Novamente a coluna, e agora podemos ver uma “parede” de vidro, semelhante com aquela que contornará todo nosso estádio)
http://static.panoramio.com/photos/original/4992261.jpg

http://farm3.static.flickr.com/2157/2224177635_d9200ef3da_b.jpg

(Aqui podemos ver a parte debaixo da cobertura, muito parecida com a nossa, além de ver o ótimo espaço entre as cadeiras, e um fato curioso, o estádio antigo não tinha um fosso como o nosso Jardim Suspenso, mas o arquiteto criou um, assim como nos outros estádios, ele deve gostar deste tipo de coisa, bom porque assim já sabemos que o fosso com certeza será mantido, e ele deve ser mais explorado do ponto de vista arquiteto, será que teremos essas “pontes”, ligando as tribunas ao campo??? a FIFA orienta que os torcedores tenham acesso ao gramado para uma possivel evacuação de emergencia)
http://static.panoramio.com/photos/original/721787.jpg

(Nesta panorâmica do dia da inauguração, novamente a bela cobertura, os pilares, mas o que chama atenção é esta borda de vidro, assim como temos em nosso projeto)
http://static.panoramio.com/photos/original/862935.jpg

June
27

Hoje vou abordar um assunto que é a preocupação de muitos palmeirenses em relação à Arena Palestra Itália que é a elitização do nosso futuro estádio. Muitas pessoas me perguntam se depois da Arena pronta os preços dos ingressos serão reajustados a preços exorbitantes e com isso o pessoal de poder aquisitivo mais baixo não terá condições de ir aos jogos do Palmeiras.

A minha resposta é não!

Desde que a nossa diretoria planeje um bom sistema de sócio torcedor, em que o afiliado consiga pagar mensalmente uma mensalidade baixa e tenha preferência e um desconto nos ingressos, igual ao que acontece com a maioria dos times na Europa e alguns aqui no Brasil. O que eu quero dizer é que não precisamos dar 50% de desconto nas entradas como o Internacional de Porto Alegre faz, mas um desconto de 20% já seria suficiente para esse torcedor continuar acompanhando os jogos na nossa futura casa.

Essa é uma maneira de conseguir manter o palmeirense de renda mais baixa assistindo os jogos no Palestra Itália e dessa forma a diretoria iria premiar também aquele torcedor mais fanático pelo Palmeiras e que vem sempre acompanhando o time nos piores momentos do clube. Também incluindo a preferência na compra dos tickets no programa de ST eliminaríamos com o problema do torcedor de final, que “rouba” o ingresso do palmeirense que assistiu todas as partidas do Palmeiras e não conseguiu a sua entrada para os jogos decisivos da nossa “squadra”.

Essa seria uma solução simples que não atrapalharia o faturamento do clube e daria um grande presente para esses fanáticos que muitas vezes privilegiam o Palmeiras no lugar de suas vidas pessoais.

Outro ponto polêmico que muitos me perguntam é que com a Arena a torcida não poderá fazer a festa como hoje é feita no Palestra Itália por causa da “elitização” e do formato do estádio. Andei pesquisando sobre o assunto e vou dar dois exemplos distintos para vocês terem uma idéia de como as torcidas participam na Europa.

O primeiro exemplo é do Arsenal, que recentemente construiu o belíssimo Emirates Stadium para sua fanática torcida. Gostaria de lembrar que a Inglaterra foi o pior foco de violência na Europa nos anos 80/90 e que só após uma repressão muito forte do governo inglês que a situação voltou ao normal é a classe média voltou aos estádios.

Levar as bandeirinhas para o campo é o máximo que as autoridades inglesas permitem as “firmas” (torcidas organizadas) de lá levarem aos jogos. Outro detalhe importante é que todos os lugares tem cadeiras com encosto, o que torna mais difícil o pessoal que gosta de assistir os jogos em pé torcer para o time! Realmente essa solução encontrada pelos ingleses não é a ideal na minha opinião, pois restringe muito a liberdade de uma parte da torcida que vai para o campo com a intenção de empurrar o seu time e assistir a partida da sua maneira a que já está acostumada!

O segundo exemplo vem da Alemanha, na minha visão esse é o modelo que deveríamos adotar na nossa futura Arena Palestra itália!

Vocês podem ver na foto que atrás dos gols nos dias de jogos as cadeiras são retiradas para dar a liberdade aos torcedores alemães de torcerem do jeito que eles gostam, que é em pé. Dessa forma também o Shalke 04 protege as suas cadeiras que são retiradas e guardadas para shows que serão realizados na Veltins Arena!

No vídeo podemos ver a bela festa que a torcida organizada do Shalke faz para o time, podendo entrar com bandeirões, bandeiras e etc… Mesmo em um país de primeiro mundo eles conseguiram encontrar o equilíbrio e atender tanto ao pessoal que gosta de assistr os jogos em pé quanto os torcedores que preferem ver o jogo confortavelmente sentando em uma cadeira central ou em um dos luxuosos camarotes da Arena.

  • Página 1 de 2
  • 1
  • 2
  • >
Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes