September
18

O Donizeti, no post anterior colocou em discussão um assunto muito interessante sobre a Arena. Ele estava comentando sobre a banalização do termo “Arena” no Brasil, principalmente agora com o “boom” de novos estádios que estão sendo construídos para a Copa de 2014.

Concordo com o Donizeti no seu ponto de vista, posso até estar falando bobagem sobre o aspecto de divulgação da futura marca que comprará o naming rights da Arena, mas acho que a WTorre/Traffic poderiam sugerir alguma coisa diferente ao nosso futuro patrocinador.

No comentário do Donizeti, ele lembra muito bem alguns exemplos, como o estádio do Borussia Dortmund – Signal Iduna Park ou o futura casa do time de futebol americano de Los Angeles – Farmers Field.

Entendo que seria uma solução interessante e que se bem trabalhada poderia até ajudar mais na exposição da marca.  Poderíamos usar algumas outra definições, como Stadium, Park ou até Parco (significa parque em italiano).

Vou passar essa sugestão para o pessoal da WTorre, mas acho muito difícil que a empresa que comprar os naming rights querem usar alguma coisa diferente de Arena…

Por isso eu acho mais provável que o nome será: Arena Unimed, Arena Itaú e etc…

Pessoal, só peço para não desvirtuarem o assunto nos comentários, falando que são contra o naming rights, porque não vai adiantar nada ficarmos perdendo tempo discutindo uma situação que não vai se reverter, né?

June
27

Vou fazer uma série de textos, sobre o que o palmeirense quer ver na Arena. No embalo da recente discussão sobre cobertura retrátil, uso o assunto para começar a série.

A cobertura retrátil é um sonho desde o primeiro projeto, aquele de 1996, que de início foi mantido no atual, porém foi retirado, e nem chegou a aparecer nos renders. Agora fica a pergunta, a arena terá estrutura para suportar um teto retrátil no futuro? Espero que sim, este item pode parecer luxo mas não, é o diferencial em muitas arenas mundo afora, ajuda o estádio a estar adaptado a diversos eventos, e a valer o termo “multiuso”.

Um estádio totalmente coberto pode receber eventos muito além de jogos e shows, onde a chuva é algo tolerável, estou falando de feiras, exposições e esportes indoor, como vôlei, basquete, futsal, lutas, etc…

Alguns estádios onde a cobertura retrátil esta fazendo a diferença:

Veltins Arena, Gelsenkirchen – Alemanha

Clube: Schalke 04, capacidades: 54000 allseater, 62000 com stehplatz

Graças a cobertura retrátil a arena recebeu recentemente um jogo de hockey da seleção alemã, com público recorde no esporte do país, foi palco da largada e da chegada de uma biatlo na neve com os telões mostrando o resto do trajeto, jogos de handbol, além de shows e jogos menos gelados e sem neve no rigoroso inverno alemão.

Biatlo

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Show

Disposição 1

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Disposição 2

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Handbol

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Hockey

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Luta

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Espirit Arena, Dusseldorf – Alemanha

Clube: Dusseldorf, capacidades: 51000 allseater, 55000 com stehplatz

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Feira / exposição

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Neste tipo de evento as arquibancadas não são usadas, a não ser que em parte da feira haja uma palestra por exemplo…mas imaginem só o salão do automóvel em plena Arena Palestra Italia!!!

Amsterdam Arena, Amsterdam – Holanda

Clube: Ajax, capacidade: 51000

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Concerto do André Rieu

Neste caso foi montada toda a estrutura de um show de música clássica, até fontes foram feitas, o ambiente de uma praça foi totalmente recriado

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Cowboys Stadium, Arlington, Texas – EUA

Clube: Dallas Cowboys (futebol americano), capacidade: 105000

Este estádio merecia um post exclusivo, sem dúvida é o mais moderno do mundo, custou nada mais nada menos que 1,3 bilhões de dólares, ficou famoso pelo gigantesco telão, que é maior do que a quadra de basquete…tem setores retráteis, cobertura retrátil, milhares de camarotes com todo luxo e conforto possível, estacionamento gigante, enfim, tudo do melhor possível!

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Futebol Americano

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Futebol

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NBA All Star Game, 108000 pessoas, recorde do torneio

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Boxe

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Show

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Rodeio

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June
6

O especialista em gestão de Arena e blogueiro da revista Exame, Ricardo Araujo deu uma entrevista esclarecedora para o portal da revista, dando a sua opinião sobre o planejamento para a Copa de 2014.

Como vocês vão acompanhar nos videos, o Ricardo é muito técnico e realista sobre o assunto. Ele consegue passar uma boa visão para as pessoas leigas entenderem o tamanho da confusão em que estamos metidos, principalmente pela falta de planejamento e interesse político.
Já pegando um gancho sobre a Copa de 2014, o projeto da Arena Palestra Itália parece não existir para o comitê paulista para a Copa do Mundo! Temos um estádio nos padrões FIFA para 42 mil pessoas e com facilidade de expansão para 62 mil (com essa capacidade poderíamos receber a abertura do evento) e nenhum representante do órgão ou político do nosso estado, intervém nessa situação e pensa em utilizar a Arena como solução para sediar os jogos do evento na cidade de SP.
Nos meus cálculos, precisaríamos de mais R$ 70.000.00,00 para atingir essa capacidade e ficar no padrão FIFA para receber a abertura da Copa de 2014! Esse valor seria sem $$$ público e não precisaríamos gastar bilhões de reais em infra estrutura no entorno do Palestra Itália como acontece no Morumbi.
Como venho sempre falando, o Professor Belluzzo poderia salvar a cidade colocando a Arena Palestra Itália à disposição para a abertura da Copa de 2014… :-/
Clique aqui para ver os videos da entrevista!
May
29
Tive o prazer de conhecer através do Twitter o Claudio Borges, ele é um brasileiro que atualmente está trabalhando no Manchester City, mais especificamente na área comercial do clube!
Como você foi parar no Manchester City?
Vim para a Inglaterra fazer um MBA especializado em Administração do Futebol que conta com a colaboração de diversos profissionais da indústria e com o apoio da Premier League. Consegui me formar com um alto rendimento e fui convidado pelo Manchester City para realizar um projeto de 3 meses focado na reformulação do programa de sócios do clube. O projeto foi bem recebido e acabei recebendo a oferta para permanecer no clube.
Você pode falar um pouco sobre o momento que o clube vive, sendo o clube de futebol mais rico do mundo?
O momento do clube é muito bom. Apesar de em campo não ter conseguido se classificar para a Champions League nessa temporada, não tenho dúvidas que a classificação será só questão de tempo. Apesar de existir o rótulo de ‘clube mais rico do mundo’,  existe uma preocupação muito grande com planejamento, prudência e retorno. Ofertas de salário as vezes alcançam certos níveis pois o clube sabe que precisa disso para atrair jogadores de calibre mundial e competir com os 4 grandes (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester United). A segunda preocupação é com o torcedor. O clube não quer se tornar uma máquina corporativa como o Manchester United. O City sempre foi um clube ligado aos conceitos de família, comunidade e tradição, e existe uma preocupacão em todos níveis do clube para que esses valores sejam preservados.
Qual é a sua função no clube?
Sou encarregado de prestar consultoria para novos projetos. Assim como em muitas empresas existe no clube uma chamada Departamentalização Matricial, no qual equipes são compostas por pessoas de diversas especialidades e se reunem para realizar tarefas com características temporárias. Propriamente dizendo trabalho dentro da área comercial, na maioria das vezes juntamente com dois setores: Marketing e Supporter Services. Minha função é analisar projetos e ações voltadas para o torcedor, incluindo estratégias de ingresso, segmentação do estádio, hospitalidade, e basicamente tudo que se refira ao relacionamento com o torcedor.
O marketing do Manchester City e composto por quantos profissionais?
Por existir uma grande departamentalização no clube o Marketing propriamente dito é relativamente pequeno, com cerca de 5 profissionais. Isso acontece pois enquanto o marketing foca principalmente na comunicação e na apresentação do clube como marca, existem outras áreas que lidam com questões específicas, como a área de Parcerias, Supporter Services e Hospitalidade.
Existe uma boa comunicação entre o departamento de marketing do Manchester e a hospitalidade do estádio?
Sim. Se existe uma coisa que não falta no clube são salas de reunião pois o diálogo entre todas as áreas é, e precisa ser, sempre constante.
Quem comanda o departamento de hospitalidade, o clube ou uma empresa tercerizada?
O departamento de hospitalidade é controlado inteiramente pelo clube. Porém, existe uma empresa especializada que presta o serviço de refeições.  O clube coordena toda a parte de reservas enquanto a empresa é encarregada da comida e bebida que são fornecidas nas chamadas suites. A empresa ganha uma porcentagem dos pacotes de hospitalidade vendidos pelo clube.
Quantas pessoas trabalham no departamento de hospitalidade?
Na parte administrativa, que lida com reservas e planejamento, existem cerca de 10 pessoas. A esse número pode-se adicionar cerca de 200 pessoas que trabalham apenas em dias de jogos como recepcionistas, seguranças, garçons e cozinheiros, sendo que os dois últimos fazem parte da empresa terceirizada.
Quanto representa em porcentagem do faturamento do clube a área de hospitalidade(Executives seats e VIP Boxes)?
Não posso revelar essa informação. Para alguns clubes essa fatia pode chegar a 40% do faturamento com ingressos. No caso do Manchester City essa porcentagem é muito menor. Enquanto o clube conta com cerca de 3,000 lugares para a hospitalidades,o Arsenal por exemplo conta com 8,000 lugares VIP. Apesar de haverem planos para desenvolver a área de hospitalidade, o foco do clube é nos torcedores da arquibancada. Vale ainda lembrar que uma grande parte da receita gerada dessas áreas vem de conferências e eventos que são realizados fora do dia de jogo e que portanto não são consideradas como receitas de jogo.
Fora o poder aquisitivo, quais são as principais diferenças entre os freqüentados dos VIP boxes para o torcedor comum do clube?
O frequentador de áreas de hospitalidade são completamente diferentes dos torcedores comuns. Não é apenas uma questão de poder aquisitivo. Recentemente foi feita uma pesquisa para analisar onde os torcedores milionários do clube sentavam e, acredite ou não, muitos preferem a emoção da arquibancada. A hospitalidade é muito usada por empresas que usam o jogo e o serviço ofertado pela suites para entreter clientes, fechar negócios ou presentear funcionários. E existem é claro os torcedores que possuem condições de pagar pelo pacote e querem uma experiência mais exclusiva para eles e suas famílias quando vão ao estádio
Quais são as principais reivindicações dos freqüentadores da hospitalidade no Manchester?
O cliente de hospitalidade quer serviço. Não apenas um bom serviço, mas um serviço comparável ao de hotéis e restaurantes 5 estrelas. É claro que a principal parte da experiência ainda é o jogo, que é visto mais confortavelmente em poltronas acolchoadas, mas as refeições servidas antes, no intervalo e após os jogos precisa ser de extrema qualidade. Além disso, muitos frequentadores esperam que as suites fornecam uma área exclusiva e de certa forma reservada, onde eles possam encontrar clientes, discutir negócios e fazer o devido networking. Não é correto afirmar que o cliente corporativo não se interessa na partida, mas o que ocorre muitas vezes na área de hospitalidade é que existem outros negócios em jogo além do time em azul celeste.
Caso tenham interesse em conhecer mais sobre a área de hospitalidade do Manchester City, acesse o site e assista ao vídeo de apresentação: http://hospitality.mcfc.co.uk/
Sigam o Claudio no Twitter - http://twitter.com/C7Borges
May
10

Ainda sobre o tema capacidade falemos agora sobre o impacto do preço dos ingressos na demanda dos jogos. Primeiro um exercício básico de economia. Precisamos saber sobre demanda elástica e inelástica, ou seja, se ela é ou não sensível ao preço. Não há um estudo sequer sobre a elasticidade (sensibilidade) da demanda com relação aos estádios, portanto, essa análise será baseada em casos. Começando com a seguinte pergunta: quanto vale ir ao Santiago Bernabéu assistir a um jogo do Real Madrid na Liga, ou quanto vale ir assistir no mesmo estádio só que no dia 22 de maio agora (final UCL)?

Viram? O fator JOGO é mais importante que preço. E as pessoas não medem esforços para estarem presentes, ou seja, pagam o que for.  E os clubes devem aproveitar a oportunidade. Mas e quando não há super-jogos sendo realizados que criam tais expectativas? Neste momento o fator PREÇO pesa, porém, se tiver adiantado boa parte dessa receita com os carnês (season ticket) você pode subir o seu preço-médio, criar ações para atrair o torcedor, sortear cadeiras, etc.. O interessante nesta questão é que você pode atrair o torcedor para outros serviços e “de quebra” assistir ao jogo “comum”. O mais importante de tudo é trazer ele para Arena.

Ok. Tema encerrado. Não há muito que dizer. Perceberam um tom elitista no texto? Pois bem, vamos tratar disso agora…

Todos temos medo que após a construção da Arena, o povo ficará longe do Palestra (e tantos outros estádios pelo Brasil), assim sendo, elitizado. Bom, isso depende apenas dos gestores dos clubes. O que eu disse no post anterior, sobre o choque de cultura, realmente deve acontecer. Porém, ainda vivemos num país desigual. E massa deve participar, porque é ela que vai aos jogos. Mas para o bem-estar financeiro das Arenas, essa massa deve ser reduzida. E deve-se dar oportunidade para a demanda oprimida de hoje (com poder aquisitivo) para poder pagar bem pelo jogo que vai assistir, pela comida que quer comer, pelos produtos do clube em lojas, etc.

Por isso, devemos transformar o conceito ELITIZAÇÃO em SETORIZAÇÃO. Devemos SETORIZAR os estádios para que todos tenham a oportunidade de participar. Porém, aquele que paga mais verá de uma cadeira melhor que aquele que paga menos. Não adianta remar contra a maré. Isso acontecerá. Tentem comprar um ingresso para um jogo do Benfica, Barcelona, Real Madrid, vejam como é feita essa setorização.

Vou deixar como reflexão o seguinte dado: Na Inglaterra segundo dados publicados pela Premier League na temporada 2007-08 as classes A, B e C1 representaram 75% do publico nos estádios e um outro dado interessante sobre o futebol inglês é que a renda média do torcedor que freqüenta os jogos da Premier League é cerca de 40% superior a média da população inglesa.

Distribuição por Renda- Torcedores da Premier League- 2007-2008
Classes:
AB: 43%
C1: 32%
C2: 16%
DE: 9%

Deixo também o excelente post sobre o assunto no blog Futebol & Negócio. Escrito por pessoas que possuem mais capacidade técnica que este palmeirense que vos escreve.

Até breve!

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