Depois de um tempo, resolvi retomar a tradução e os meus comentários sobre o estudo da KPMG sobre o mercado de arenas. Para que não leu a primeira parte, clique aqui.
2. Uma visão dos estádios Europeus.
Não é nenhuma surpresa, pela variedade do futebol como negócio na Europa, que existam diferenças estruturais de como os clubes de várias ligas utilizam seus estádios.
Este capítulo apresenta alguns fatos básicos e análises para que se possa mostrar o estágio atual e entender os problemas de desenvolvimento dos estádios.


2.1 Fatos de acordo com os estádios dos principais clubes Europeus.
Como a performance dos times no gramado e a performance financeira estão sempre muito próximas, a comercialização de um estádio é um fator controlável e que pode mudar a dinâmica a longo prazo e consequentemente mudar o caminho de um clube.
Os estádios usados pelos principais clubes da Europa são grandes, com uma média de aproximadamente 60.000 assentos e raramente com capacidade menor que 40 mil.
Os maiores estádios, com capacidade superior a 80.000 assenots, estão na Espanha e Itália, mas os principais clubes da Inglaterra e Alemanha não ficam atrás.
Muitas dessas mega arenas entretanto, foram construídas nos últimos 50 anos.
Consequentemente a sua forma de gerar receita está comprometida pela sua estrutura básica, já que não foram desenvolvidos com prioridade nos negócios da atualidade em mente.
Dando uma visão geral na média de idade dos estádios das ligas Européias, na média Escócia, Inglaterra, Suécia e Itália têm os estádios mais antigos da Europa. Muitas dessas estruturas foram melhoradas diversas vezes desde as suas inaugurações. No entanto, se novos estádios com um design moderno substituíssem os antigos, a geração de receitas desses clubes provavelmente cresceriam bastante.
Outra conclusão sobre as análises nessas ligas é que os estádios mais modernos normalmente estão em países que receberam grandes torneios internacionais como Áustria, Alemanha, Holanda, Portugal e Suíça. Grandes eventos como a Copa do Mundo e a Eurocopa também ajudam no desenvolvimento dos estádios para que estes consigam atender aos requerimentos da FIFA e da UEFA.
Quando nós olhamos para os proprietários dos estádios das principais ligas, fica claro que a maioria desses estádios na Europa têm o estado como seu proprietário.
Agora está existindo uma tendência em que os grandes clubes estão tentando ter um controle maior nesse segmento em razão de ser uma das principais formas de gerar receita. Uma gestão cuidadosa de um estádio pode providenciar uma base financeira sólida para o sucesso do clube.
Fonte: European Stadium Insight 2011 (KPMG)
Comentário:
Nesse capítulo podemos ver claramente a tendência da capacidade média dos estádios europeus em que os principais clubes do velho continente tendem a construir arenas para no mínimo 50.000 lugares, com raras exceções como a nova arena da Juventus de Turin (42.000). Esse é um fato muito importante na minha visão, pois mostra claramente o fim dos grandes estádios e defasados. Outro ponto interessante é que os gestores chegaram à conclusão de que menos é mais e com isso aprenderam a explorar bem as áreas de hospitalidade ajudando a explodir o faturamento das novas arenas.
Traçando um paralelo entre a Nova Arena e os novos estádios europeus, podemos ver uma falha em nosso projeto. Como já falei milhares de vezes por aqui, perdemos a oportunidade de aproveitar o momento e construir a Arena para uma capacidade de mais de 52.000 lugares e com o Stehplatz, chegar perto de 57.000. Infelizmente o futuro sócio torcedor pode ser o maior prejudicado nessa história, pois estamos deixando de maximizar o espaço e consequentemente perdemos a chance de oferecer ao nosso torcedor um ingresso mais barato sem prejudicar a bilheteira do clube. Parece pouco, mas esses 7.000 lugares irão fazer falta, principalmente porque a Nova Arena vai com certeza atrair um novo torcedor palmeirense que não tem ido aos jogos ultimamente por falta de segurança, conforto e etc…
Para os que falam sobre a área construída estar no limite, o Palmeiras poderia ter arrumado alguma solução com a WTorre, por exemplo, poderiam ter comprado um terreno para construir o prédio multi uso ou até mesmo discutido com a prefeitura para uma nova emissão de CEPACS para a região, criando assim, a possibilidade de um clube social poder utilizar tal benefício, o que não acontece atualmente. O problema é que somos muito fracos politicamente, enquanto em Itaquera as leis são completamente ignoradas, para nós a prefeitura e o MP exigem tudo o que têm direito!