Palmeiras deve anunciar seguro da Arena nos próximos dias, e WTorre já fala em projetos inovadores
Danilo Lavieri, iG São Paulo
O Palmeiras deve anunciar nos próximos dias que o último documento da Arena está pronto: o segudo de perfomance. Clube e WTorre já escolheram a UBF como empresa responsável pela apólice e faltam detalhes para que tudo seja assinado.
“O seguro está sendo realizado nos próximos dias. Já está para sair a qualquer momento. O departamento jurídico está resolvendo todos os últimos detalhes. O dia 15 de novembro é o limite para que tudo esteja pronto, mas deve sair antes”, disse o assessor especial da presidência do Palmeiras, Antônio Carlos Corcione.
Com o documento em mãos, a situação espera calar a oposição, que tem feito reuniões e já exigiu no COF (Conselho de Orientação Fiscal) a presença do seguro. E isso causa desconforto geral entre os dois lados políticos.
A UBF afirmou que ainda não recebeu o “ok” de Palmeiras nem da WTorre. Luiz Alberto Pestana, vice-presidente da seguradora, conversou com o iG por telefone e disse que a empresa já está pronta para assumir o “risco”.
“A WTorre abriu um processo de licitação e somos um dos que querem. Geralmente, somos os que fazem esse tipo de documento para a WTorre. Nós já apresentamos a proposta e esperamos o ok deles. Assim que eles confirmarem negócio, a apólice sai em 24 horas”, disse Pestana.
Enquanto isso, também em entrevista exclusiva para o iG, o presidente da WTorre, Walter Torre Jr., afirmou que o seguro só depende do Palmeiras para sair. Além disso, o empresário disse que todo o dinheiro para Arena está garantido e que a suposta crise financeira colocada por algumas reportagens de mídia especializada em economia não existe. Walter Torre também detalhou os projetos que desenha para a interação da Arena e explicou que o torcedor será um gestor das obras.
Confira a entrevista completa com Walter Torre Jr., o presidente da WTorre:
iG: A WTorre passa por uma crise financeira? A revista Exame divulgou uma reportagem dizendo que o dinheiro da sua empresa acabou. Isso traz riscos à Arena do Palmeiras?
Walter Torre Jr.: Não. A gente conversou com a revista para mostrar os melhores 30 anos da nossa companhia. Mostrei a apresentação de nossos dados e só não forneci o balanço por que iria fechar alguns dias depois do nosso encontro. Depois, até conversei com o pessoal da revista, mas não adiantou. Na verdade, estamos com um bom caixa. Nos próximos dias, inclusive, pediremos a reclassificação na Agência Fitch em um encontro com a imprensa.
iG: Então o Palmeiras tem garantida a sua Arena?
Walter Torre Jr.: Com certeza. O dinheiro do Palmeiras está separado há um ano e meio. O que tem atrapalhado é essa demora para sair, pois o dinheiro está direcionado para a Arena e não está rendendo. Tivemos alguns contratempos com a alta da construção civil, mas também melhoramos a parte que será importada por causa da nossa moeda forte. Para você ter uma ideia de como estamos tranquilos, estamos tocando, hoje, R$ 2 bilhões em obras, independentemente do Palmeiras, só em locação. Um só prédio da Marginal Pinheiros estamos trabalhando com R$ 700 milhões.
iG: O dinheiro da Arena será, em parte, financiado pelo Banco do Brasil?
Walter Torre Jr.: Exatamente. A gente fala que metade é capital e outra metade é alavancagem. E essa parte já está garantida pelo Banco do Brasil.
iG: E o seguro da Arena? Quando é que sai? Quem é responsável por isso?
Walter Torre Jr.: Esse é o seguro de perfomance que a gente fala. É o seguro que traz tranquilidade para o Palmeiras. Toda obra que a gente faz, fazemos isso. É a garantia de que a obra chegará até o fim. Se deixarmos a obra pela metade por algum motivo, o seguro vai lá e completa. Isso tudo já está pronto, está com o Palmeiras. Depois de assinado pelo Palmeiras, volta para a seguradora e pronto.
iG: Vocês temem pela mudança de presidência nas eleições de janeiro de 2011?
Walter Torre Jr.: Não. Nós estamos 100% autorizados. Eles só podem nos atrasar, mas nada pode ocorrer para interromper o processo. Já estamos andando a mil por hora. Já compramos estrutura metálica e tudo mais. Vamos começar o desenvolvimento de um sistema de interação inédito no país. O torcedor vai assistir e vai fazer parte da gestão.
iG: Como vai funcionar exatamente?
Walter Torre Jr.: O torcedor vai ter o diário da obra. Vai saber exatamente o que vamos comprar, o que estamos fazendo, a que passo está a obra. São cinco câmeras em widescreen ligadas o tempo todo. Terão links com as mídias sociais para a participação, com direito até a promoção. O torcedor que mais acessar o site, por exemplo, poderá visitar a obra, ganhar um ano de cadeira cativa e outros tipos de promoções. Se um torcedor tiver uma empresa de ar condicionado, por exemplo, também poderá fazer parte da concorrência quando formos comprar ar condicionado. Enfim, vamos fazer de um jeito que todos vão se apaixonar pela obra. Em breve isso estará no ar. Teremos, inclusive, ajuda do pessoal que fez a campanha da Marina Silva à presidência. Eles tinham uma boa tecnologia para isso.
iG: E o naming rights? Vai sair? A Unimed é mesmo a favorita?
Walter Torre Jr.: Não estamos com tanta pressa nessa questão. Eles [Unimed] estão com bastante vontade. Mas ainda estamos recebendo propostas. A melhor hora para isso acontecer é quando a Arena sair do chão. A venda de cadeira e camarotes, para as pessoas físicas, preferimos começar a fazer só quando o estádio começar a sair do chão, fica mais fácil de animar o pessoal.
Fonte: IG






