O post (que na verdade é um artigo) a seguir é uma análise que eu fiz como estudioso da Indústria do Futebol, deixando a paixão de lado.
E como eu sei que este espaço é lido pelo Professor Belluzzo e alguns diretores importantes da S.E. Palmeiras, eu peço encarecidamente para que leiam com carinho e atenção. Principalmente ao Prof. Belluzzo, eu deixo como uma espécie de pedido.
E aos leitores deste espaço, peço que leiam com atenção e não distorçam a discussão.
Segue o artigo logo abaixo:
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O futebol brasileiro passa por mudanças – não muito aparentes – com a chegada da Copa do Mundo em 2014. E por isso, os clubes se veem numa posição em que é preciso mudar e evoluir para não ficarem estagnados.
Ainda que sejam dependentes das cotas de TV e venda de jogadores para manter as finanças e esquecem-se do marketing, de uma Arena para alavancar receitas e principalmente profissionalização de departamentos chaves em suas gestões.
Neste artigo é abordado, através da S. E. Palmeiras, como um clube se mostra pronto para acompanhar essas mudanças. Observando também o ambiente que se insere atualmente.
O Palmeiras tem como estratégia ser bem-sucedido nacionalmente (local) e almeja o que todo clube brasileiro deseja: ser campeão da Copa Santander Libertadores (continental). O mais interessante – ou preocupante -, é que não há indícios em expandir sua marca para o mercado nacional e levá-la para o mercado sul-americano, visando somente o sucesso dentro de campo. Fatos compreensíveis pelos baixos resultados esportivos durante a década atual em ambos os cenários.
O ambiente interno palmeirense se caracteriza pela falta de profissionais em demasia em departamentos como o Marketing, Planejamento, Financeiro, Executivo e Futebol. Inexistindo um organograma empresarial. Resultando numa falta de direção e objetivo, tendo como sequela a falta de comunicação entre esses departamentos. Ou seja, não estão alinhados para um mesmo norte.
Algumas contratações pontuais para os departamentos foram feitas, mas não o bastante.
Seu ambiente externo é claro. Com a presença de concorrentes reais na mídia e comercial (Corinthians), sucesso esportivo (São Paulo FC) e tratamento do torcedor (S.C. Internacional).
O Corinthians possui maior exposição na mídia e os maiores contratos com patrocínios, o São Paulo FC conquistou uma Libertadores e o tri-campeonato Brasileiro, enquanto o Internacional possui o maior plano sócio-torcedor do país com mais de 100 mil associados.
Além do mais, os valores dos contratos de patrocínio estão crescendo e arenas serão construídas. Se fazendo necessário ter poder de negociação para aumentar valores e conquistar parceiros para viabilizar as obras.
Contudo, o Palmeiras consegue resultados expressivos através de sua torcida. É o quinto no ranking de vendas de materiais esportivos da Adidas, atrás somente de Real Madrid, Milan, Chelsea e Bayern de Munique.
Ainda tendo a segunda maior média com gastos (R$ 77) em produtos esportivos do Brasil, atrás somente do arqui-rival, segundo estudos do Instituto Qualibest.
Com relação às fontes de renda: marketing, estádio e comercialização de direitos televisivos. O Palmeiras mostra que possui potencial nos dois primeiros, enquanto o ultimo está alienado ao Clube dos 13, à falta de concorrência entre as emissoras e falta de estrutura para gerar o seu próprio conteúdo para comercializar.
Como mostrado anteriormente, o marketing do clube possui em mãos uma torcida fanática e que consome. Porém, falta conhecer esta torcida para poder direcionar produtos, criar estratégias e ampliar o número de consumidores. Um plano de sócio-torcedor bem estruturado deve ser desenvolvido para ter um banco de dados e histórico de seus torcedores.
As condições do mercado apontam para uma ascensão nos valores dos patrocínios. Porém, ainda se faz necessário não só ao Palmeiras como todos os clubes brasileiros, se valorizar e ter sinergia com os parceiros para ativarem suas marcas.
Talvez por terem origens italianas, tanto o Palmeiras quanto a Fiat, pode existir facilidade nessa questão.
A construção da nova Arena Palestra Itália é o ponto crucial desta análise. Pois, este empreendimento poderá dar direção e transformar a visão do clube de como gerir ele mesmo, evoluindo de uma administração amadora para uma gestão profissional.
Será necessário alinhar os departamentos de Planejamento, Marketing, Financeiro e Futebol para atrair os torcedores, eventos, parceiros (naming rights, patrocínios e camarotes), ter estrutura para gerar suas próprias imagens, e principalmente ser responsável pelo início da mudança de cultura do torcedor brasileiro dentro dos estádios.
Ela não seria o único motivo para o clube se modernizar, há diversas maneiras como profissionalizar os departamentos a partir de agora. Porém, não deixa de ser uma oportunidade. E se o clube não aproveitá-la, não conseguirá acompanhar as mudanças da indústria e alcançar a liderança.
Os direitos televisivos estão alienados ao Clube dos 13 e não há como ser negociados individualmente.
Esta modalidade de negócios deveria ser explorada pelos clubes aqui no Brasil, os mesmos deveriam decidir onde e que horas seus jogos devem ser transmitidos, além da liberdade de negociar com qualquer veículo midiático. A falta de estrutura (ou de uma Arena) não permite a eles produzirem suas próprias imagens e serem comercializadas.
Não deve se esquecer de que estas fontes de renda são dependentes do principal produto do clube: seu desempenho esportivo. E nos últimos 10 anos, o Palmeiras não vem satisfazendo sua torcida quanto a isso.
O clube possui um bom parceiro que pode ajudar a alavancar esta área. E recentemente contratou o técnico Felipão, um líder no vestiário e um atrativo para novas aquisições. Além de repatriar o ídolo Kleber.
Ainda que seja necessária a contratação de profissionais (ex-atletas ou não) que auxiliem na construção de uma equipe vitoriosa.
É possível observar que o Palmeiras tem duas plataformas importantes para alavancar suas receitas: sua nova Arena e sua torcida. E um horizonte favorável para o sucesso esportivo.
Possuindo potencial para acompanhar, liderar o ambiente externo e acompanhar as mudanças que virão para a indústria do futebol no Brasil. Mas ainda é necessário melhorar o seu ambiente interno, profissionalizando os seus departamentos, criando uma estrutura organizacional e direcionando todos num só objetivo.