Grupo de Mustafá quer voto secreto em reunião sobre Arena

Os trâmites para oficializar a construção da Arena Palestra Itália movimentam o cenário político do Palmeiras. Nesta segunda-feira, o Conselho Deliberativo se reúne para votar uma mudança no estatuto do clube necessária para avançar com o processo burocrático do novo estádio. O grupo político ligado ao ex-presidente Mustafá Contursi se articulou para que a votação seja secreta.

Pelo atual estatuto, o Palmeiras não pode envolver o Estádio Palestra Itália em qualquer tipo de negócio. "Constitui bem inalienável, o imóvel da Avenida Francisco Matarazzo, Estádio 'Palestra Itália', que não poderá ser por qualquer forma onerado, assim como quaisquer outros que se lhe acrescerem e a ele se incorporarem", diz o artigo 137, parágrafo 2º.

Para a existência da Arena Palestra Itália, é essencial alterar este item. A idéia é acrescentar a seguinte frase ao estatuto: "A concessão dos direitos de uso da superfície depende de prévia autorização do Conselho Deliberativo". Uma vez aprovada pelos conselheiros em sistema de maioria simples, a mudança ainda precisa ser ratificada pelos sócios em Assembléia Geral, marcada para o dia 30 de agosto.

A chamada "cessão de superfície", que regula o empreendimento do Palmeiras com a W Torre, é uma legislação ainda recente e pouco conhecida, instituída com o novo Código Civil, semelhante ao conceito de aluguel. Basicamente, a operação consiste na compra e venda de um espaço que será devolvido após um período pré-determinado. Pelo acordo, a empresa construtora ganha o direito de administrar a Arena durante 30 anos.

Nesta segunda-feira, o Conselho Deliberativo do Palmeiras se reúne para votar a eventual mudança. Um grupo de cinqüenta e oito conselheiros ligado majoritariamente ao ex-presidente Mustafá Contursi protocolou pedido na secretaria do clube para que a votação seja secreta. Desta forma, antes de iniciar a cerimônia, Seraphim Del Grande, presidente do órgão, precisará resolver com os membros a maneira de votar.

Wlademir Pescarmona, assessor especial do clube e homem forte do movimento Muda Palmeiras, acusa os defensores do voto fechado de quererem se esconder. "Eles não querem dar a cara para bater, querem fazer tudo na surdina. Eles querem evitar votar 'não' para não pareceram contrários a um projeto desse tipo. Repercutiria mal entre os sócios, entre a imprensa, em todos os aspectos. Por isso, eles vão tentar tumultuar ao máximo", diz o conselheiro, partidário do voto nominal.

Na eleição para aprovar a construção da Arena Palestra Itália, realizada no dia 30 de junho, 163 pessoas votaram a favor e apenas três foram contrárias. Boa parte dos conselheiros da oposição boicotou a votação e não compareceu. Ao lado de Mustafá Contursi e Chico Hipólito, Piraci Oliveira rejeitou a proposta. Favorável ao voto secreto, ele rebate a acusação dos defensores do novo estádio.

"Eu tenho gastado grande parte do meu tempo em exposição dos motivos do meu voto, pedindo a palavra, enviando material para meus companheiros, falei no rádio, falei na TV e gostaria de usar o seu canal para lançar o desafio de propor um debate", diz o conselheiro, que ainda apontou a existência de "inverdades" no material de divulgação do projeto da Arena.

Para Piraci Oliveira, o pleito aberto pressiona os votantes ligados de alguma forma à atual diretoria. "Em tese, essas pessoas não teriam liberdade de consciência para votar contra", argumentou. Na visão do conselheiro, a superfície da área que seria cedida à empresa não está clara. "O clube pode até virar estacionamento do Shopping Bourbon, como inclusive já foi proposto".

Como a Assembléia Geral dos sócios será com voto fechado, Piraci Oliveira defende que o mesmo expediente seja adotado no Conselho Deliberativo. Em seu artigo número 96, o estatuto do Palmeiras determina o seguinte: "As votações do C.D. (Conselho Deliberativo) serão simbólicas, nominais ou secretas a juízo do plenário, ressalvada a hipótese do artigo 94, sempre por maioria de votos dos presentes". O artigo 94 regulamenta a eleição de alguns membros da diretoria, algo fora de discussão neste momento.

Wlademir Pescarmona garante que a área em questão diz respeito apenas ao Estádio Palestra Itália, como está no estatuto do clube. Otimista para a votação desta segunda-feira, o conselheiro acredita que a ala de Mustafá pode perder o jogo antes do apito inicial. "Se eles forem derrotados na questão do voto secreto, correm o risco de perder antes mesmo da votação da mudança no estatuto. É muito perigoso", declarou.

Fonte:
Terra

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