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Cinco das dez principais obras em São Paulo para a
Copa do Mundo já têm projetos bastante detalhados
de construção. Faltam apenas pequenos ajustes para
que os projetos comecem a sair do papel:
1
- Arena Palestra Itália
O Palmeiras planeja construir um dos estádios mais
modernos do Brasil no mesmo local onde está hoje o
Parque Antarctica. O clube já não alimenta
esperanças de abrigar um jogo da Copa de 2014 após
a Prefeitura de São Paulo, o governo paulista e a
Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terem
indicado para a Fifa o estádio do Morumbi como
palco das partidas na cidade.
Dirigentes palestrinos, no entanto, ficariam
bastante contentes se o novo estádio, batizado
provisoriamente de Arena Palestra Itália, fosse
escolhido para abrigar jogos da Copa das
Confederações em 2013 ou servisse de centro de
treinamento para alguma seleção de futebol - de
preferência, a italiana.
Dentro do raio de 100 km de distância da capital,
há cinco estádios aptos a comportar treinos e
amistosos das seleções visitantes: Pacaembu (São
Paulo), Jundiaí, Barueri, Campinas e Santos.
Se a Arena Palestra Itália sair do papel, o estádio
será o favorito para abrigar os treinamentos do
cabeça-de-chave que jogar em São Paulo. O novo
Palestra custará cerca de 250 milhões de reais e
terá sua capacidade aumentada para 42 000 pessoas.
A execução da obra ficará a cargo da WTorre
Empreendimentos, uma das maiores construtoras de
imóveis comerciais do Brasil. O contrato assinado
em julho de 2008 prevê que o Palmeiras cederá o uso
da superfície por 30 anos à construtora, que, em
troca, terá de arcar com todo o investimento para a
construção e a administração do estádio. O projeto
é assinado pelo arquiteto português Tomás Taveira,
que desenhou três estádios em Portugal construídos
para a Eurocopa de 2004.
A WTorre espera iniciar a construção da arena no
final deste ano. A conclusão demoraria mais 28
meses, período em que o Palmeiras deverá mandar
seus jogos em estádios como o Pacaembu, o Morumbi e
a Arena Barueri. As atuais arquibancadas, em forma
de ferradura, serão fechadas, passando a constituir
um círculo completo.
Em cima, será construído um segundo anel sobre o
qual haverá uma cobertura. Só o gramado
permaneceria descoberto, conforme aconselha a Fifa.
Não haverá pista de atletismo, que afasta o público
dos gramados e torna menos interessante a
experiência de assistir aos jogos no estádio.
O diretor-superintendente da WTorre
Empreendimentos, Solano Neiva, planeja alcançar uma
rentabilidade de ao menos 15% ao ano com o estádio.
Nos jogos em que o mando de campo é do Palmeiras,
toda a bilheteria será do clube, com exceção da
parcela da renda destinada a cobrir as despesas de
utilização (cerca de 25 mil reais por partida).
Nos jogos de outros times, o aluguel entrará no
caixa da construtora. Outra forma de a WTorre
levantar receitas será com a construção de 200
camarotes com capacidade para abrigar um total de
2.000 pessoas. O direito de se sentar nesses locais
seria comercializado com empresas. Também haverá 10
mil cadeiras cativas que poderiam ser adquiridas
por torcedores, gerando receitas para a
construtora.
O nome do estádio também será negociado com alguma
empresa, como foi feito na Europa com a Allianz
Arena (um acordo entre a seguradora Allianz e o
clube alemão Bayern de Munique) e o Emirates
Stadium (nome adquirido pela companhia aérea
Emirates junto ao time inglês Arsenal).
Atual patrocinadora do Palmeiras, a fabricante de
eletroeletrônicos Samsung tem o direito de
preferência para atrelar sua marca ao estádio. O
advogado Ivandro Sanchez, especialista em contratos
de futebol no escritório Machado, Meyer, Sendacz e
Opice, afirma que batizar o estádio com uma marca
só funciona quando o nome é dado logo a partir da
primeira partida. "Seria impossível mudar o nome do
estádio do Morumbi hoje, 50 anos após sua
construção. Ninguém falaria o novo nome", afirma.
A WTorre também seguirá a recomendação da própria
Fifa de construir uma arena multiuso, que possa ser
utilizada para partidas de outros esportes ou para
shows musicais. Atrás do campo, haverá uma
estrutura coberta para shows com capacidade para
abrigar até 15 000 pessoas sem prejudicar o
gramado.
"Essa é uma forma de viabilizar financeiramente o
empreendimento. São necessários cerca de cem
eventos por ano para tornar o investimento
lucrativo - e o Palmeiras só mandará ali umas 50
partidas por ano", afirma Ivandro Sanchez.
A construtora também espera abrigar sob as
arquibancadas do estádio e nas imediações outros
estabelecimentos comerciais, como restaurante
panorâmico, auditório e estacionamento com 1.400
vagas. O plano diretor da cidade de São Paulo, no
entanto, estabelece um limite para a área
construída equivalente a 30% do terreno total.
Solano Neiva, da WTorre, defende que a Câmara dos
Vereadores de São Paulo aumente esse teto para 50%.
"Isso já foi feito para hotéis e hospitais e
deveria ser estendido para estádios, como acontece
em outras cidades do mundo", afirma.
"Fica impossível cumprir todas as exigências da
Fifa, ampliar as áreas de circulação, ter
arquibancadas sem pontos cegos, destinar 2.000
lugares para a imprensa, ter rotas de fuga para
evacuação em no máximo oito minutos e ainda
construir outros equipamentos no estádio com essa
legislação arcaica."
Neiva diz que a Câmara pode colocar em votação um
projeto que faria essa mudança nos próximos meses,
mas que, por enquanto, vai tocar o projeto
respeitando a normas atuais. A construção de novos
estabelecimentos comerciais e a realização de um
número maior de eventos seriam bastante importantes
para viabilizar o projeto da WTorre, principalmente
nesse momento de crise.
Com o crédito caro e escasso, os custos de captação
de dinheiro para a construção do estádio deverão
ser elevados. A WTorre garante que o projeto
continua de pé apesar da mudança do cenário
econômico. A meta de obter uma rentabilidade de 15%
ao ano, no entanto, ficou mais distante.
Fonte: Portal EXAME