Vão acabar com a ferradura???

Investindo R$ 220 milhões dos próprios cofres, a WTorre Engenharia irá reformar o Palestra Itália. O estádio terá uma cobertura retrátil, 45 mil lugares (contando os assentos para imprensa - o que poderá reduzir a capacidade de público para no mínimo 43 mil torcedores), e, como novidade, será fechada a ferradura onde hoje se vêem as piscinas do clube social.
Para não atrapalhar o parque aquático do clube, o gramado será deslocado quase 10m em direção à meta do placar.

Serão três níveis de arquibancada, todas elas numeradas. No setor reservado às uniformizadas, as cadeiras poderão ser fechadas, caso os torcedores queiram ficar em pé.
No nível intermediário ficarão os camarotes (cerca de 200). Mais um restaurante e quatro lanchonetes. O estacionamento terá 1500 lugares.

O projeto é assinado pelo arquiteto português Tomás Taveira, autor das reconstruções dos estádios do Benfica e Sporting. Além do estádio, mais R$ 50 milhões serão gastos para a construção de um edifício administrativo de até sete andares, com restaurante e megaloja do clube, mais um prédio poliesportivo, e o paisagismo do clube social.

Para ser aprovado, o projeto precisará passar pelo Conselho Deliberativo do Palmeiras.

Alguns pontos irão gerar polêmica. Como a taxa que o clube terá de pagar para usar o estádio em dias de jogos. Funciona assim: o Palmeiras joga no novo Palestra contra o Corinthians; a bilheteria continua sendo do clube. Mas ele pagará as despesas do dia com energia, água, segurança, limpeza e pessoal. Algo em torno de R$ 25 mil por jogo, hoje. Como o Palmeiras realiza por temporada no mínimo 30 jogos (podendo ser mais de 40 por ano), o gasto palmeirense seria algo em torno de R$ 1 milhão pela temporada.
Porém, em todos os quase 320 dias restantes do ano, a manutenção é toda da WTorre, pelo contrato de 30 anos.

Pelas contas de 2007, o Palmeiras gastou R$ 9 milhões no estádio. Por esses números, valeria a pena entregar a administração à WTorre.
Ela tentaria recuperar os R$ 270 milhões investidos com a receita do “naming rights” (a venda do nome do estádio para uma empresa), a comercialização dos camarotes, a venda de 10 mil cativas (cada uma custando R$ 2 mil por ano, mais o ingresso mais barato – que será todo do Palmeiras).

Além disso, o clube ainda ganhará porcentagem escalonada nessas receitas. Mais 20% em todos os eventos extrafutebol e receitas de restaurantes, museu e academia.

Além do estádio do Palmeiras, a WTorre pretende explorar de seis a oito arenas no Brasil – mas apenas o Palestra Itália em São Paulo.

Fonte: Blog do
Mauro Beting

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