Pessoal, a empresa KPMG desenvolveu um estudo muito interessante e detalhado sobre a atual situação do mercado de Arenas na Europa. Nesse estudo conseguimos ter uma boa noção de como será o futuro dessa importante fonte de receita para os clubes de futebol brasileiros.

Como o documento está dividido em vários capítulos, vou postar em partes aqui no blog algumas partes do capitulo traduzido e comentarei depois sobre cada assunto.

Primeiro Capítulo:

Como todos sabem o futebol é o esporte mais popular do mundo, com uma base de fans de mais de 3 bilhões de pessoas por todo o globo.

Na temporada de 2009/2010 o futebol europeu teve um pequeno crescimento e os clubes chegaram a gerar de receita mais de 11 bilhões de euros, mesmo com uma queda nos lucros.

O futebol é um mercado concentrado e 70% de toda a receita dos clubes europeus está nas mãos de apenas 10% dos principais clubes da Europa. Aproximadamente 80% dos clubes das 5 grandes ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) geram faturamentos acima de 50 milhões de euros. Não é nenhuma coincidência eles estarem nos países de maior potencial de consumidores da União Europeia.

Os clubes de futebol captam suas receitas de três principais fontes:

1 – Receita dos dias de jogos “Matchday”: Venda de carnês para toda a temporada, ingresso para o jogo do dia, cadeiras VIPs, etc.

2 – Receita das transmissões de televisão: Os direitos de transmissão devem vir dos distribuidores centrais da UEFA, contrato com as ligas de seus países, clubes com canais próprios, etc.

3 – Outras fontes: Patrocínio, merchandising, licenciamento, etc.

Maximizar as receitas é a prioridade para que os clubes de futebol possam ter condições financeiras de manter jogadores “tops” e financiarem novos projetos que irão ajudar o clube a chegar em um novo patamar de sucesso.

Os clubes da Premier League Inglesa tem terminado nos últimos anos sempre nos primeiros lugares do ranking da UEFA de receita dos times europeus. Os times Ingleses da Premier League geraram na média 122 milhões de euros em 2009/2010, 40% a mais do que o alemães que são os segundos no ranking e 63% a mais que a liga espanhola.

Apenas para se ter uma idéia, o campeonato polonês gerou apenas 6% da receita de toda a liga espanhola, lembrando que a Polônia tem uma população do tamanho da Espanha.

Clubes das 5 maiores ligas europeias geram mais de 50%

Times do oeste europeu, como aqueles das 5 grandes ligas, também tem um grande faturamento em seus matchdays, mostrando como é significativo e importante essa fonte de recursos, o oposto do que acontece no Leste Europeu, que mostra uma distribuição do matchday muito diferente. Em razão da baixa frequencia de público, a falta de arenas modernas e um ingresso muito barato, as receitas geradas pelo matchday desses países, representam em sua maioria 10% do faturamento total do clube.

O faturamento do matchday é maximizado através de fatores que precisam ser apreciados de uma forma muito cuidadosa, calibrando o tamanho do estádio, combinado com uma estratégia de preço eficiente, executada por um time de gestores de arena que sejam eficientes e que mantenham uma relação próxima com os torcedores do clube. O desenvolvimento e a operação de um estádio de futebol é muito intensiva, sempre existe uma grande pressão nos operadores para aproveitar da melhor forma o seu espaço.

Entretanto, proprietários e modelos de operação diferem de país para país e os donos/operadores sofrem para conseguir equilibrar as receitas.

A comparação da receita total entre os principais times da Europa revelam diferenças significativas, mesmo entre o grupo de “elite”. O faturamento advindo do matchday mostra como é diferente a distribuição de país para país. Os clubes ingleses, como exemplo, tem uma tendência a ter uma participação maior em suas receitas vindas do matchday, enquanto os clubes italianos tendem a ter a menor receita entre os clubes de elite do futebol europeu. Os motivos para essas diferenças são vários, como a análise vai mostrar nos próximos capítulos.

Obs: o texto acima foi traduzido parcialmente do documento da KPMG dos pontos que eu achei mais relevantes. 

Abaixo os meus comentários sobre esse primeiro capítulo:

Nessa primeira parte do estudo, fica evidente porque os clubes das 5 grandes ligas estão sempre se revezando na disputa pela principal copa europeia que é a Champions League. O poder economico é infinitamente superior em comparação aos demais países da Europa.

Focando no assunto que tem mais a ver com o blog e para efeito de comparação, vamos olhar mais detalhadamente o matchday desses clubes e saber a real importância do seu estádio para o faturamento global.

No segundo gráfico podemos ver a forma que está dividida a receita da maioria dos países europeus. Concentrando nas ligas mais importantes, o matchday representa uma boa parte do faturamento dos clubes de três países, Espanha (31%), Inglaterra (26%) e Alemanhã (22%); já na França (14%) e Itália (13%) o matchday mantem um nível muito abaixo em relação aos três primeiros países.

Muita coisa já foi dita pelos analistas da KPMG, mas vale a pena ressaltar algumas coisas que não foram abordadas e que são relevantes.

Olhem a força do matchday do Arsenal! Eles conseguem, com um estádio bem menor do que o Santiago Bernabeo (80.354), ter um matchday equivalente ao Real Madrid. Para vocês terem uma idéa, o Emirates Stadium tem (60.355), o que representa 20 mil lugares a menos! A explicação desse aproveitamento fantástico é a modernidade e conforto do Emirates e o mais importante é a grande oferta de camarotes e cadeiras VIPs; com esses produtos disponíveis para seus torcedores, fica muito mais fácil cobrar um preço elevado para assistir os jogos do Arsenal. Também não posso deixar de citar o Camp Nou (99.354) de propriedade do Barcelona, que mesmo tendo um dos melhores times de sua história e um estádio gigante perde feio para os londrinos.

Outro clube de Londres, o Chelsea, está conseguindo extrair o máximo possível do seu matchday no pequeno e antigo Stanford Bridge (41.841) e mesmo com essa capacidade reduzida, os ingleses conseguem faturar mais em dias de jogos do que o Bayer de Munich no belíssimo Allianz Arena (69.601), mas isso tem uma boa explicação. Na Alemanhã, mesmo sendo a economia mais forte da Europa, os preços dos ingressos são muito mais acessíveis em comparação a Inglaterra. Essa é uma política que já vem de muitos anos e que tem mais a ver com a mentalidade do povo alemão do que com uma possível falta de competência dos gestores da Allianz Arena.

Para encerrar, queria mostrar a situação alarmante dos estádios na Itália, obsoletos e sem nenhuma área decente de hospitalidade. Parece que nossos irmãos italianos precisam se movimentar rapidamente para voltar a ter condições financeiras de contratar os principais jogadores do mundo. Apenas a Juventus até agora tirou do papel o seu projeto e construiu a sua moderna arena e com isso ela deve ter uma melhora significativa em seu faturamento global e em poucos anos pode estar entre os 5 clubes mais ricos do mundo.